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2017/03/28

António Nunes é homenageado pelo "Jornal Sem Fronteiras" e pela "ACLAL"



Seguindo este link tem-se acesso a vários artigos de reportagem acerca da estada da «Caravana Sem Fronteiras» a que já me referi em posts anteriores.
De entre esses artigos permito-me realçar os que reproduzo a seguir, com a permissão tácita do «Jornal Sem Fronteiras»:
"António Nunes ‘um Viseense tão Leiriense como os que o são’ recebe homenagens das mãos de Dyandreia Portugal, do Jornal Sem Fronteiras, e do Presidente da ACLAL – Academia Lusófona de Artes e Letras, Dr. Arménio Vasconcelos, ao lado de Gonçalo Lopes, Vereador da Câmera Municipal de Leiria.
A confraternização se fez no aconchegante Mimo – Museu da Imagem em Movimento.
António, economista (pela Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra) e contabilista (pelo Instituto Comercial do Porto), além de ser fotógrafo de primeira, está firme na webdesde os  sites no servidor leirianet.pt (1998), até a atualidade, no http://dispersamente.blogspot.com, além de participar de dezenas de blogs.
Homenagem merecida! Parabéns, António! " (26mar2017) 
Betty SilbersteinEscritora, revisora, tradutora. Conselheira da REBRA (Rede Brasileira de Escritoras), Diretora Cultural da OBME (Organização Brasileira das Mulheres Empresárias), Membro de várias Academias e do Conselho Fiscal da SUPERECO.
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O troféu que me foi atribuído em cerimónia no MiMO em Leiria conforme notícia acima.
Espero deixar aqui, também, os diplomas que a ACLAL e o «Jornal Sem Fronteiras» me outorgaram.

2017/03/25

ACLAL a integrar o projeto «ARTES e LETRAS LUSÓFONAS SEM FRONTEIRAS»

 As bandeiras do Jornal Sem Fronteiras, do Brasil, de Portugal e da ACLAL, na Mesa no Mosteiro da Batalha. 
Dr. Joaquim Ruivo (Diretor do Mosteiro da Batalha), Dra. Diandreya Portugal (Jornal Sem Fronteiras), Dr. Arménio Vasconcelos (Presidente da ACLAL)

No Auditório do Mosteiro da Batalha, na sexta feira passada, dia 23 de Março de 2017, numa sessão de apresentação do projeto Cultura Lusófona Sem Fronteiras no momento em que Diandreya Portugal mostrava dois livros da autoria de participantes neste projeto.

nota:
Está em edição uma longa reportagem sobre a vinda a Portugal duma extensa caravana de Brasileiros, a que se juntaram Portugueses da ACLAL e outros apoiantes do projeto, espalhados pelo resto do mundo.
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contacto: 
(promete-se celeridade numa resposta):

2017/03/22

Leiria na rota do 4º Aniversário do «Jornal Sem Fronteiras - Brasil e Comunidade de Língua Portuguesa por todo o Mundo.


Obrigado, prezado amigo e Dr. Arménio dos Santos Vasconcelos, por se ter lembrado deste sempre admirador da sua imensa obra em prol da Cultura e da Lusofonia.

Arménio Dos Santos Vasconcelos Antonio Nunes e Esposa, Zaida, cada um por si, irão ser justamente galardoados, no dia 23, pelas 15 horas, no Castelo de Leiria, com o Vereador da Cultura, Dr Gonçalo Lopes, o escritor Vieira da Mota, a artista Clotilde Fava, o homem do Leiria sobre Rodas, Filipe Vasconcelos e outros. Venham ao Castelo assistir !

(p. 8 do Diário de Leiria de 20 de março de 2017)
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Em modo DISPERSO… (XXXIII)
(António Nunes)

Leiria na rota do 4º Aniversário do «Jornal Sem Fronteiras»
ACLAL, Mosteiro da Batalha, Castelo de Leiria

O que é o “Jornal Sem Fronteiras”, estará o leitor a perguntar? Qual a sua ligação com esta Região que justifique uma crónica no Diário de Leiria?
Antes de mais convém frisar que o «Jornal Sem Fronteiras» é uma iniciativa da escritora e jornalista brasileira Dyandreia Portugal. Enquadra um projeto de Rede Mídia de Comunicação e Editora Sem Fronteiras  de envergadura notável, na medida em que está a conseguir o seu objetivo fundamental, que é a promoção de iniciativas editoriais e de eventos com vista à divulgação da Arte e da Cultura em todos os Estados Brasileiros e em mais 27 países onde se fala a língua portuguesa, predominantemente ou não. Esta iniciativa é fortemente apoiada em Portugal pela ACLAL – Academia de Letras e Artes Lusófonas, cujo Presidente da Direção é o Dr. Arménio Vasconcelos, com ligações íntimas e de longa data a Leiria, como advogado, empresário, escritor e amante das Artes e das Letras em geral. O autor desta crónica ocupa, presentemente, o cargo de Presidente do seu Conselho Fiscal.
O «Jornal Sem Fronteiras» possui tiragem bimestral e a sua presença não tem fronteiras estabelecendo-se por todo o mundo através dos seus colunistas, Galerias de Arte, Museus, Bibliotecas, Associações, Academias, Feiras Literárias, Exposições de Artes, Lançamentos Literários e outros Eventos Culturais.
O seu principal representante em Portugal, a ACLAL, tem sede em Além do Rio - Gafanhão – Castro Daire e foi constituída em 17 de Julho de 2009.  Ficaram registados para a posteridade como sócios fundadores, entre outros, os leirienses (por naturalidade ou por adoção), Arménio Vasconcelos, Adélio Amaro, António Nunes, Soares Duarte (já falecido mas para sempre lembrado), Vieira da Mota, Filipe Vasconcelos…
O «Jornal Sem Fronteiras» comemora este ano o seu 4º Aniversário, em Portugal, com um programa recheado de iniciativas culturais especialmente dirigido à sua numerosa comitiva que vem diretamente do Brasil e que se junta aos elementos que vêm de outros pontos do globo. Esta impressionante jornada Comemorativa e de cultura em Portugal terá, também,  a participação da APP – Associação Portuguesa de Poetas, Universidades de Lisboa e Coimbra, Instituto de Camões, Museus Maria da Fontinha e de Almofala, Mosteiro da Batalha, Castelo de Leiria – Câmara Municipal de Leiria, ABD – Associação Brasileira Desenhos e Artes Visuais, Cia Arte Cultura, ALAIS – Académie de Lettres et Arts Luso Suisse.
O ponto de encontro e início das comemorações é Lisboa. A esta comitiva inicial juntar-se-ão muitos portugueses,  particularmente ligados à ACLAL,  ao longo do percurso das várias atividades que ocorrerão entre Lisboa, Sintra, Cascais, Óbidos, Batalha, Leiria, Almofala, Coimbra, Viseu, Além do Rio, Porto, Braga.
As ações previstas decorrem de 16 a 31 deste mês, começando no Hotel Pestana (Palácio Valle Flor) com uma Festa de Gala de Aniversário e Cerimónia de Homenagens. No dia 17, no Museu da Farmácia, ainda em Lisboa, ocorre um Encontro de Escritores Lusófonos, com palestras, performances e apresentações musicais. Nesta oportunidade o Dr. Arménio Vasconcelos apresenta uma comunicação sobre farmácias, focando-se naquela que foi a mais antiga farmácia de Leiria e que permanece, com a sua vistosa fachada de azulejos azuis, como um dos principais ícones da cidade. A sua ligação íntima ao enredo de “O Crime do Padre Amaro”, ao grande Eça de Queiroz e ao lídimo poeta leiriense Acácio de Paiva, não podia ficar esquecida, evidentemente. Trata-se, como está bem de ver, da «Pharmácia de Leonardo da Guarda e Paiva», no Largo da Sé, na qual nasceram várias gerações de Paivas, de Telles e Paiva e de Paiva Nunes.
No dia 23 do corrente mês a caravana tem programadas duas sessões culturais e de entrega de Diplomas, de manhã no Mosteiro da Batalha e da parte da tarde, pelas 15 horas, no Castelo de Leiria. No decorrer desta sessão serão galardoados com Diploma de Reconhecimento ao Mérito, os seguintes ´leirienses`: António Nunes (escritor), Clotilde Fava (artista), Filipe Vasconcelos (Leiria-sobre-Rodas), Gonçalo Lopes (Vereador da CM Leiria), Vieira da Mota (escritor) e Zaida Paiva Nunes (escritora/poeta).
No dia 24, os académicos brasileiros e da ACLAL vão apadrinhar a inauguração e apresentação do Espaço Casablanca, em Almofala (distrito de Leiria), que se destinará à divulgação de produtos agro-silvo-pecuários daquela região e de todos os possíveis aspetos da cultura, v.g. poesia, livros de autores regionais, escritos de académicos da ACLAL, com tertúlias, reuniões e concertos. Um dos palestrantes neste evento será Prates Miguel, advogado, com crónica às segundas feiras no Diário de Leiria e Presidente da Mesa da AG da ACLAL.
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António AS Nunes

 (nunes.geral@gmail.com)

2017/03/03

Perspetivas dum mês de Março cheio de atividade. A propósito do 98º Aniversário de Eva de Sousa Esteves Paiva.


 Zaida e sua mãe Eva Paiva, no dia do seu 98º Aniversário, no Lar da Adesba - Barreira
 A Edite e a Zaida, primas como se fossem irmãs.

Foto em contraluz. O Álvaro Lucas Pereira, marido da Edite. Primo.
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Texto originalmente publicado no meu FB
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Este mês de Março perspetiva-se como um mês cheio... Pois que assim seja!
1- Ainda em fev(27) a minha sogra, Eva Paiva, entrou nos 98 anos de idade com o aspeto que se pode ver na fotografia abaixo, ao lado da sua filha Zaida;
2- Amigos meus vão apresentar um duplo CD com música e poesia;
São eles: Carlos Pires (Poesia) e Pedro Jordão (composição Musical);
3- Idem na organização e participação numa Ronda Poética em Leiria, coordenação de Paulo Costa;
4- O meu pai irá fazer 93 anos de idade;e a Ana Damaso e a Carolina também aniversariam neste mês;
5- O meu blogue "DISPERSAMENTE..." vai entrar no seu 11º ano de atividade;
6- O AQVS(*) vai de vento em popa...
7- A Tertúlia dos "Serões Literários das Cortes" do próximo dia 11 vai aflorar a questão essencial "Que é uma Coisa?";
8- A convite do meu amigo Arménio Dos Santos Vasconcelos e na qualidade de membros da Academia Aclal Letras Artes Lusófonas , eu e a Zaida, vamos participar nas comemorações do 5º aniversário dos Jornal Sem Fronteiras (Brasil e mundo lusófono), com sessões culturais e de homenagens em Lisboa, Mosteiro da Batalha, Castelo de Leiria, Figueiró dos Vinhos (Museu e Casa Cultural de Almofala), Museu Maria da Fontinha (Além-Rio- Castro Daire), etc
9- O meu amigo Carlos Lopes Pires vai lançar aos sete ventos um seu livro de poesia (mais um, mas sempre com a sua verve a fazer prevalecer o seu humanismo e a sua preocupação estética acima de tudo) que será já no dia 1 de abril. Mas é verdade, segundo afiança o autor e o editor (TextiVerso) corrobora.
... E assim vai o mundo ...

(*) movimento clandestino e ultrassecreto.(bolas! na ortografia antes do AO90 era ultra-secreto). Ironia nossa, do núcleo duro dos Serões Literários das Cortes. 

2016/04/20

CARLOS EUGÉNIO - Uma Vida dedicada aos livros e à Cultura em Leiria


Crónica IX - "Em modo DISPERSO..."   (IX)
Na sequência dum verbete publicado neste blogue, dias antes.
Em homenagem ao homem e ao meu primo Álvaro Lucas Pereira, agora com 81/2 anos e que vive na Lourinhã, de quem Carlos Eugénio era tio.
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Tem sido um privilégio para mim escrever crónicas quinzenais para o "Diário de Leiria". Privilégio acrescido porque na mesma página escreve o meu amigo e companheiro da ACLAL, escritor de reconhecidos créditos e advogado de mérito inexcedível, Dr. Prates Miguel. 
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Nesse verbete anterior pode ver-se um vídeo em que Zaida Paiva Nunes diz um poema de Carlos Eugénio.

2016/02/08

As minhas crónicas na imprensa de Leiria


Meti-me numa empreitada nova. Convidaram-me para escrever umas crónicas na imprensa cá do município e eu aceitei. É com um prazer muito grande que escrevo. Vamos lá a ver como é que os leitores me vão aturar...https://www.facebook.com/diarioleiria ( quinzenalmente, às segundas feiras); "Notícias de Colmeias" todos os meses, sai no princípio de cada mês.






Como o eu amigo e companheiro da ACLAL - Academia de Letras e Artes Lusófonas, Dr. Prates Miguel escreve uma crónica que sai todas as segundas feiras no "Diário de Leiria", cá nos encontramos de 15 em 15 dias. É uma honra para mim.





2015/02/06

Descoberta do caminho marítimo para a Índia - Poema escrito por Olavo Bilac em 1898

Descoberta do caminho marítimo para a Índia

Aqui se pode ver um pequeno vídeo com uma sinopse do que foi o Descobrimento do Caminho Marítimo para a Índia, em Abril de 1498.





Em 7 de Maio de 1898 publicou Olavo Bilac este livro/Poemeto.

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"Acreditavam os antigos celtas,
do Guadiana espalhados até
a costa, que, no templo circular
do Promontório Sacro, se reuniam
à noite os deuses, em misteriosas
conversas com esse mar cheio
de enganos e tentações."

OL. MARTINS. - Hist. de Portugal.


Sagres
"Acreditavam os antigos celtas,
do Guadiana espalhados até
a costa, que, no templo circular
do Promontório Sacro, se reuniam
à noite os deuses, em misteriosas
conversas com esse mar cheio
de enganos e tentações."

OL. MARTINS. - Hist. de Portugal.
Em Sagres. Ao tufão, que se desencadeia,
A água negra, em cachões, se precipita, a uivar;
Retorcem-se gemendo os zimbros sobre a areia.
E, impassível, opondo ao mar o vulto enorme,
Sob as trevas do céu, pelas trevas do mar,
Berço de um mundo novo, o promontório dorme.


Só, na trágica noite e no sítio medonho,
Inquieto como o mar sentindo o coração,
Mais largo do que o mar sentindo o próprio sonho,
- Só, aferrando os pés sobre um penhasco a pique,
Sorvendo a ventania e espiando a escuridão,
Queda, como um fantasma, o Infante Dom Henrique...


Casto, fugindo o amor, atravessa a existência
Imune de paixões, sem um grito sequer
Na carne adormecida em plena adolescência;
E nunca aproximou da face envelhecida
O nectário da flor, a boca da mulher,
Nada do que perfuma o deserto da vida.


Forte, em Ceuta, ao clamor dos pífanos de guerra,
Entre as mesnadas (quando a matança sem dó
Dizimava a moirama e estremecia a terra),
Viram-no levantar, imortal e brilhante,
Entre os raios do sol, entre as nuvens do pó,
A alma de Portugal no aceiro do montante.


Em Tanger, na jornada atroz do desbarato,
- Duro, ensopando os pés em sangue português,
Empedrado na teima e no orgulho insensato, 
Calmo, na confusão do horrendo desenlace,
- Vira partir o irmão para as prisões de Fez, 
Sem um tremor na voz, sem um tremor na face.


É que o Sonho lhe traz dentro de um pensamento
A alma toda cativa. A alma de um sonhador
Guarda em si mesma a terra, o mar, o firmamento,
E, cerrada de todo à inspiração de fora,
Vive como um vulcão, cujo fogo interior
A si mesmo imortal se nutre e se devora.


"Terras da Fantasia! Ilhas Afortunadas, 
Virgens, sob a meiguice e a limpidez do céu, 
Como ninfas, à flor das águas remansadas!
- Pondo o rumo das naus contra a noite horrorosa 
Quem sondara esse abismo e rompera esse véu, 
Ó sonho de Platão, Atlântida formosa!

Mar tenebroso! aqui recebes, porventura,
A síncope da vida, a agonia da luz?.
Começa o Caos aqui, na orla da praia escura?
E a mortalha do mundo a bruma que te veste?
Mas não! por trás da bruma, erguendo ao sol a Cruz,
Vós sorrides ao sol, Terras Cristãs do Preste!


Promontório Sagrado! Aos teus pés, amoroso, 
Chora o monstro... Aos teus pés, todo o grande poder,
Toda a força se esvai do oceano Tenebroso...
Que ansiedade lhe agita os flancos? Que segredo,
Que palavras confia essa boca, a gemer,
Entre beijos de espuma, à algidez do rochedo?


Que montanhas mordeu, no seu furor sagrado?
Que rios, através de selvas e areais,
Vieram nele encontrar um túmulo ignorado?
De onde vem ele? ao sol de que remotas plagas
Borbulhou e dormiu? que cidades reais
Embalou no regaço azul de suas vagas?


Se tudo é morte além, - em que deserto horrendo,
Em que ninho de treva os astros vão dormir?
Em que solidão o sol sepulta-se, morrendo?
Se tudo é morte além, por que, a sofrer sem calma,
Erguendo os braços no ar, havemos de sentir
Estas aspirações, como asas dentro da alma?"

...............................................................
E, torturado e só, sobre o penhasco a pique,
Com os olhos febris furando a escuridão,
Queda como um fantasma o Infante Dom Henrique...
Entre os zimbros e a névoa, entre o vento e a salsugem,
A voz incompreendida, a voz da Tentação
Canta ao surdo bater dos macaréus que rugem:


'Ao largo, Ousado! o segredo 
Espera, com ansiedade, 
Alguém privado de medo 
E provido de vontade...


Verás destes mares largos
Dissipar-se a cerração!
Aguça os teus olhos, Argos:
Tomará corpo a visão...

Sonha, afastado da guerra,
De tudo! - em tua fraqueza,
Tu, dessa ponta de terra,
Dominas a natureza!


Na escuridão que te cinge,
Édipo! com altivez,
No olhar da líquida esfinge
O olhar mergulhas, e lês...


Tu que, casto, entre os teus sábios,
Murchando a flor dos teus dias,
Sobre mapas e astrolábios
Encaneces e porfias;


Tu, buscando o oceano infindo,
Tu, apartado dos teus,
(Para, dos homens fugindo,
Ficar mais perto de Deus);


Tu, no agro templo de Sagres,
Ninho das naves esbeltas,
Reproduzes os milagres
Da idade escura dos celtas:


Vê como a noite está cheia
De vagas sombras... Aqui,
Deuses pisaram a areia,
Hoje pisada por ti.


E, como eles poderoso,
Tu, mortal, tu, pequenino,
Vences o mar Tenebroso,
Ficas senhor do Destino!


Já, enfunadas as velas,
Como asas a palpitar,
Espalham-se as caravelas
Aves tontas pelo mar...


Nessas tábuas oscilantes,
Sob essas asas abertas,
A alma dos teus navegantes
Povoa as águas desertas.

Já, do fundo mar vário,
Surgem as ilhas, assim
Como as contas de um rosário
Soltas nas águas sem fim.


Já, como cestas de flores,
Que o mar de leve balança,
Abrem-se ao sol os Açores
Verdes, da cor da esperança.


Vencida a ponta encantada
Do Bojador, teus heróis
Pisam a África, abrasada
Pela inclemência dos sóis.


Não basta! Avante!
Tu, morto 
Em breve, tu, recolhido 
Em calma, ao último porto,
- Porto da paz e do olvido,


Não verás, com o olhar em chama,
Abrir-se, no oceano azul,
O vôo das naus do Gama,
De rostros feitos ao sul...


Que importa? Vivo e ofegando
No ofego das velas soltas,
Teu sonho estará cantando
À flor das águas revoltas.


Vencido, o peito arquejante.
Levantado em furacões,
Cheia a boca e regougante
De escuma e de imprecações,


Rasgando, em fúria, às unhadas
O peito, e contra os escolhos
Golfando, em flamas iradas,
Os relâmpagos dos olhos,


Louco, ululante, e impotente
Como um verme, - Adamastor
Verá pela tua gente
Galgado o cabo do Horror!

Como o reflexo de um astro,
Cintila e a frota abençoa
No tope de cada mastro
O Santelmo de Lisboa.


E alta já, de Moçambique
A Calicut, a brilhar,
Olha, Infante Dom Henrique!
- Passou a Esfera Armilar...


Fartar! como um santuário
Zeloso de seu tesouro,
Que, ao toque de um temerário,
Largas abre as portas de ouro,


- Eis as terras feiticeiras 
Abertas... Da água através, 
Deslizem fustas ligeiras, 
Corram ávidas galés!


Aí vão, oprimindo o oceano,
Toda a prata que fascina,
Todo o marfim africano,
Todas as sedas da China...


Fartar!... Do seio fecundo
Do Oriente abrasado em luz,
Derramem-se sobre o mundo
As pedrarias de Ormuz!


Sonha, - afastado da guerra,
Infante!... Em tua fraqueza,
Tu, dessa ponta de terra,
Dominas a natureza!..."


Longa e cálida, assim, fala a voz da Sereia... 
Longe, um roxo clarão rompe o noturno véu.
Doce agora, ameigando os zimbros sobre a areia,
Passa o vento. Sorri palidamente o dia...
E súbito, como um tabernáculo, o céu
Entre faixas de prata e púrpura irradia...


Tênue, a Princípio, sobre as pérolas da espuma, 
Dança torvelinhando a chuva de ouro. Além,
Invadida do fogo, arde e palpita a bruma,
Numa cintilação de nácar e ametistas...
E o olhar do Infante vê, na água que vai e vem,
Desenrolar-se vivo o drama das Conquistas.


Todo o oceano referve, incendido em diamantes,
Desmanchado em rubis. Galeões descomunais,
Crespas selvas sem fim de mastros deslumbrantes,
Continentes de fogo, ilhas resplandecendo,
Costas de âmbar, parcéis de aljofres e corais,
- Surgem, redemoinhando e desaparecendo...


É o dia! - A bruma foge. Iluminam-se as grutas.
Dissipam-se as visões... O Infante, a meditar,
Como um fantasma, segue entre as rochas abruptas.
E impassível, opondo ao mar o vulto enorme,
Fim de um mundo sondando o deserto do mar,
- Berço de um mundo novo - o promontório dorme.


SAGRES,

Olavo Bilac
Rio de Janeiro, MDCCCXVIII

TYP. DO ´JORNAL DO COMMÉRCIO´DE RODRIGUES & C.
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Nota:
Será interessante conseguir acompanhar a explanação elaborada por José Eduardo da Fonseca (UFMG) tentando demonstrar que "A Mensagem" de Fernando Pessoa poderá ter sido inspirada por leituras interessadas que o próprio terá feito  do Poema de Olavo Bilac que acima se reproduz.
Talvez seguindo o link:
https://attachment.fbsbx.com/file_download.php?id=1537419149873489&eid=ASu0Q_jt4Kai_3qjeIBEYvAMSlxgK1i946uX8Vk9o2Ovq-FlPl6WEp8t0HC1L_hiwFo&inline=1&ext=1423252323&hash=ASuHM1qZtKRZz-cq

2014/12/22

ACLAL - Academia de Letras e Artes Lusófonas ; Boletim Informativo nº 6, Dez 2014






 Arménio Vasconcelos ...........................................Aquilino Ribeiro   (ensaio p. 2)  (*)

                                                                         (também em https://www.facebook.com/groups/aquilinoribeiro/ )
                                           
Seguindo o link abaixo pode ler-se o Boletim Informativo nº 6, Dez 2014, da ACLAL.
Equipa editorial e Redatorial:
Arménio Santos Vasconcelos
António Santos Nunes

https://drive.google.com/file/d/0B0v6K4Xe-OCYLW9tRncweGdsMHJrS0xic2NDWXFWTFlidy1J/view?usp=sharing

(*)  (Permiti-me o desplante de publicar neste Boletim um pré ensaio sobre Aquilino Ribeiro)

(@ Reservados todos os direitos de autor a favor da ACLAL e dos Autores)

2014/11/09

Al Berto e eu...




“ A tua ausência ainda   pernoita……
nos escombros de uma fotografia”

Al   Berto



Abri esta folha, olhei-a, à primeira vista, um branco imaculado.

Gostaria de me envolver no exercício da escrita, com mais propriedade do que a que, até aqui, estou a conseguir. Mesmo assim permito-me insistir nesse propósito, por diversas vias, todas demasiado prosaicas, talvez. Escrevo até à exaustão em blogues, um, dois? livros. Particularmente, sob a batuta e mote da fotografia. Da fotografia de minha autoria. Essencialmente, fotografia de reportagem, instantâneos do que vai ocorrendo nos momentos da minha vida.

Agora que estou a entrar na segunda metade da minha década dos sessenta, decidi-me a rever conceitos, formas, projectos de estudo, ensaiando até poder. Ainda não perdi a esperança de que poderei vir a conseguir escrever algo de novo, algo de útil e diferente, que resulte do trato natural e espontâneo da minha imaginação e experiência de vida.

Imaginação, o que é a imaginação, em que é que se irá materializar a minha imaginação ao ser transposta para letra de forma sobre esta folha de papel que tenho aqui à minha frente? É verdade que ela já encontrou o mote do momento, alguns versos de Al Berto. Quanta presunção!
De qualquer modo, ei-la que está a começar a aparecer com uns salpicos gráficos. Mas para que servirá essa mancha assestada na claridade?

O dia está esplendoroso, ainda não são onze horas, da janela que tenho em frente diviso uma paisagem vistosa, a Natureza em pleno vigor, o rio Lis aqui perto a caminhar de mansinho, pelo vale, entre montes sobranceiros, mal acabou de nascer. Lá vai ele ao encontro do Lena, na Barosa. Ali se juntam, há quantos séculos não sabemos, há muitos, que não os conseguimos contar, ninguém ainda conseguiu contar. Muitos já o cantaram e continuam a cantar. Maravilhosamente. Bucolicamente. Romanticamente.
Leiria e o seu castelo e o seu rio trazem-me à ideia ausências várias. A  ausência do tempo em que não senti a sua alma, ao mesmo tempo a ausência de terras de Viriato, da minha ancestralidade, da minha juventude.
Poderei afirmar categoricamente que uma grande parte do que me vai ocorrendo na vida está fixado em fotografia. Fotografia no sentido literal do termo. Quantas fotografias não me olham com ares misteriosos, às vezes desconfiados, outras como que a querer falar comigo, enquanto eu as olho e ao olhá-las sou assaltado por sentimentos os mais dispersos, contraditórios e, em muitos casos, a apelar intensamente a certas  ausências, algumas de que mal me tenho apercebido no nevoeiro infernal com que o tempo vai toldando o meu espírito.
-
Ausência…
Pernoitar..
Escombros..
A ausência de um momento corporeamente registado numa fotografia?
Já deteriorada pelo correr do tempo?

Essa ausência dorme…dorme…
Ainda é noite!
Até quando  vai continuar adormecida?
Não amanhece…a noite continua…
Deixemo-la dormir em paz!
Enquanto o tempo o permitir!

                      António Nunes
-

* ver Boletim Informativo da ACLAL nº 5/2014 - pp 36-37

2014/09/21

ACLAL - Academia de Letras e Artes Lusófonas (Assembleia Geral)





ACADEMIA DE LETRAS E ARTES LUSÓFONAS – ACLAL

CONVOCATÓRIA

Convocam-se todos os membros da ACADEMIA DE LETRAS E ARTES LUSÓFONAS – ACLAL, associação cultural, com sede administrativa no Museu Maria da Fontinha, em Além do Rio, Gafanhão, para comparecerem pelas 18 horas, de sábado, dia 11 de outubro de 2014, no auditório do CLUBE FIGUEIROENSE, em FIGUEIRÓ DOS VINHOS, PORTUGAL, para em ASSEMBLEIA GERAL debater e decidir acerca dos seguintes pontos da ORDEM de TRABALHOS:

1. Apresentação de documentos, discussão, aprovação e ratificação das contas referentes aos  exercícios anteriores, isto é, de 2009 a 2013, inclusive;

2. Mudança da sede social para o local supra indicado como o da Assembleia Geral. Motivos para tal.;

3. Apresentação de LISTAS, PROGRAMAS e ORÇAMENTOS, para eleição dos Órgãos Sociais para o triénio 2014-2017.;

4. Tomada de posse dos Órgãos Sociais eleitos.;

5. Completação das composições dos Quadros dos Patronos. Eventuais alterações. Eleição dos respectivos representantes.;

6. Referência aos muitos membros entretanto falecidos. Propostas de honrarias.
Idem, quanto a terceiros, figuras marcantes da Lusofonia.;

7. Discussão e definitiva aprovação do valor da quota de cinco euros/ano e de zero euros para Instituições, Câmaras, Associações, Academias e similares.;

8. Aprovação definitiva dos membros fundadores e dos efectivos, de acordo com a efectivação das competentes contribuições.;

9. Apresentação do diploma a emitir a todos e a cada um daqueles membros acabados de referir.;

10. Discussão e eventual alteração da alínea c) do Artigo 11.o e das seções 1a e 5a do Artigo 2.o.;

11. Outros assuntos de interesse para a Academia.


Só terão legitimidade para estarem presentes e ou representados os membros que provem ter

procedido ao pagamento das suas quotas (2014, incluída); bastando, todavia esta, no valor de

5,00 (cinco euros ou 7 dólares e ou 10 reais) entrados na conta bancária da ACLAL, até ao dia 5

de outubro, inclusive.

NIB 003502310002819683065

IBAN PT50003502310002819683065


O Presidente da Mesa da Assembleia Geral

Prates Miguel

-
Mais sobre a ACLAL

2013/12/26

Figueiró dos Vinhos - 12 Dezembro 2013: Apresentação do livro de Arménio Vasconcelos "Contos de reis, reais, d´amores"


Fragmentos da capa e contracapa do livro "Contos de reis, reais, d´amores"

A montagem-vídeo que se seque pretende constituir-se num documento/reportagem da sessão de apresentação do último livro e Arménio Vasconcelos. A sessão teve lugar na Casa da Cultura em Figueiró dos Vinhos, no dia 12 de Dezembro de 2013.



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Também pode ter interesse em observar aqui
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Tive oportunidade de fotografar o snr. Artur Santos Mateus,  a que o autor se refere no conto "Cinco tostões para cinco réis de gente - ainda está gravado na lembrança..."; 




aprecie-se a exposição emocionada de Arménio Vasconcelos, que se pode ouvir no vídeo supra, a partir dos 6,25 minutos. Este conto tem como personagens centrais o grande pintor José Malhoa 



(tão intensamente ligado a Figueiró dos Vinhos) e Artur Santos, que foi quem acabou por colaborar com as suas lembranças para que este conto memorial e biográfico (pp135 a 141) ficasse registado a letras de forma escritas neste livro.
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Tanto que se poderia escrever sobre este livro, apresentado com extrema clareza e entusiasmo pela Dra. Celeste Alves (ver vídeo na primeira parte)! 
Vou deixar aqui dois ou três aspetos basilares:
1- Edição conjunta da "Academia de Letras e Artes Lusófonas - ACLAL" de que me orgulho de fazer parte, sendo seu membro fundador;
e dos Museus Maria da Fontinha e de Almofala (Além do Rio, Castro Daire - Portugal);
2- Pode ler-se sobre estes museus e a ACLAL seguindo os links:
ACLAL
Museu Maria da Fontinha
Museu de Almofala 

nota: prometi enviar a fotografia ao snr. Artur. A ver se não me esqueço de lha mandar; claro, terei que a imprimir em papel e mandar-lha para a direção que me deu (um cartão em que ainda se apresentava como colaborador do "círculo de leitores"). Também fiquei a simpatizar com ele, Arménio. Tenho pena de não ter visto os tais cinco tostões...

@as-nunes

2013/10/11

ACLAL - Boletins informativos

Em tempo:

Fica aqui o link para consulta em ficheiros .PDF dos Boletins informativos da

ACLAL- ACADEMIA DE LETRAS E ARTES LUSÓFONAS

Ver mais sobre ACLAL neste blogue.

Boletins informativos nos 1, 2 e 3.   (aqui para se ler o Boletim nº 1 com melhor qualidade gráfica)

2011/10/11

Hortênsias, dálias...em sede da ACLAL


Uma hortênsia e uma dália
Nos jardins do Museu Maria da Fontinha
Além do Rio, Gafanhão, Castro Daire. 
No último de 5 dias a visitar o Centro de Portugal, de Celorico da Beira, a Castro Daire, sempre que possível a viajar de automóvel por estradas nacionais e municipais, alcançámos este local paradisíaco, com o pretexto de participar numa Assembleia Geral da ACLAL (1).
Ainda que tencione deixar aqui uma reportagem mais elaborada sobre essa Assembleia Geral e sobre os desígnios culturais em prol da Lusofonia desta Academia e sobre o Museu Maria da Fontinha (2), desta feita, pretendi anexar aqui este singelo apontamento mostrando-vos duas flores com que este mês de Outubro, que já não se consegue descortinar se é Outono, se Verão, se Primavera, nos presenteou antes de se dar início à maratona da Ordem de Trabalhos. Essa OT continha tão só 20 pontos. Começou às 15h45. Eram quase 21 horas quando eu e a Zaida nos vimos forçados a sair em direcção a Leiria. Só quem conhece minimamente aquela zona é que pode imaginar o que é transitar naquelas estradas estreitas e sinuosas, encosta acima, encosta abaixo, lá ao fundo o Rio Paiva, no meio de uma zona florestal densíssima. É a coisa mais fácil deste mundo perdermo-nos e acabarmos por andar às voltas, à nora, em plena serra. Nem o GPS nos consegue acudir!

Claro, chegados à A24, a partir daí a fluidez e velocidade do tráfego muda da noite para o dia. Mas, e chegar lá? E ainda tínhamos 230 km pela frente, que o dia seguinte era de trabalho já previamente programado.
Este interessantíssimo projecto que é a ACLAL justifica plenamente todos estes trabalhos e canseiras!...
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(1) ACLAL - Academia de Letras e Artes Lusófonas (www.aclal.org ou http://aclalusofonas.blogspot.com )
(2) Pode-se ficar com uma ideia de como é este fabuloso Museu consultando este blogue em
http://dispersamente.blogspot.com/search/label/museu%20maria%20da%20fontinha
@as-nunes
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2010/08/06

NESTA NOSSA DOCE LÍNGUA DE CAMÕES E DE AQUILINO




Prof. Dr. José Augusto Cardoso Bernardes
Prof. Dr. Fernando Paulo do Carmo Baptista (Autor)

Teve lugar, ontem, dia 5 de Agosto, no Casino da Figueira da Foz, uma sessão de apresentação do extraordinário livro "Nesta nossa doce língua de Camões e de Aquilino". Na mesa perfilaram-se o autor e diversas outras personalidades ligadas ao mundo das Artes e das Letras e, particularmente, ao mundo Académico na área da Língua Portuguesa.
Libânia Madureira coordenou a sessão.


Do texto de apresentação (da autoria de Libânia Madureira) da obra e do seu autor, Dr. Fernando Paulo Baptista, permito-me retirar o seguinte excerto:


A apresentação mais «académica» e mais «protocolar» do livro — «Nesta Nossa Doce Língua de Camões e de Aquilino» —, será feita pelo Senhor Professor Doutor José Augusto Cardoso Bernardes, Catedrático da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, que fez os seus estudos básicos e secundários nas escolas da Figueira da Foz e é natural da vizinha e simpática freguesia da Brenha. Trata-se de um Académico dos mais brilhantes da Universidade Portuguesa, detentor de um vasto e invulgar curriculum como investigador e como docente da área dos Estudos Literários.

Para nos falar ainda do Autor, teremos os testemunhos da Professora e Escritora, Dra. Maria Isabel Loureiro, com inúmeras publicações didácticas e histórias infanto-juvenis, do Senhor Presidente da CM de Sernancelhe, Dr. José Mário de Almeida Cardoso, e do Dr. Arménio Vasconcelos, Advogado, Presidente da ACLAL (Academia de Letras e Artes Lusófonas), Museólogo e incansável Promotor do Espírito Lusíada e Universalista e da Causa da «Lusofonia», com uma vasta obra poético-literária e cultural já publicada.
  
“Um livro é um mudo que fala,
um surdo que responde,
um cego que guia,
um morto que vive”

Padre António Vieira

Breve apontamento sobre o Livro «Nesta Nossa Doce Língua de Camões e de Aquilino»

“Para falar ao vento bastam palavras.
Para falar ao coração, é preciso obras”

Padre António Vieira

«Trata-se de uma obra dedicada à causa maior da nossa Língua Materna, da Língua que é partilhada pela Comunidade de Países e de Povos que se exprimem em Português — a CPLP — e por todas as comunidades migrantes da «diáspora» lusíada, multicultural e multiétnica, espalhadas pelas sete partidas do mundo.
E é a esta língua (que aprendemos desde o berço, ao colo de nossa Mãe) que, segundo o autor (ver o seu prefácio, pág. 18), «devemos a mediação das aprendizagens de efectivo potencial (in)formativo, cognitivo, significante e expressional que estruturam e modelam, a nível cultural, sapiencial, hermenêutico e comunicacional, o nosso modo de ser e estar, de pensar e agir, de sonhar e realizar, de par com a construção da nossa «visão do mundo», dos nossos «mapas mentais» (mind maps), das nossas «matrizes» gnosiológicas e metodológicas, dos nossos «arquivos memoriais», da nossa «enciclopédia» interior e do nosso «capital simbólico» e, de um modo muito especial, dos «campos» gerativos e alimentadores das nossas práticas de oralidade e de escrita, em todas as suas configurações modais».

Pela minha parte não posso perder esta ocasião para declarar a minha mais profunda admiração pelo extraordinário brilhantismo com que o Prof. Dr. Fernando Paulo tem presenteado as audiências em que me integrei já por duas vezes, ao expor com o entusiasmo que se pode observar na foto cimeira, ao centro, os mais variados e complexos aspectos relacionados com o culto científico da Língua Lusíada. 

Mais não vou, aqui e por esta via, acrescentar, o que, de qualquer modo, só o poderia ser a título de nota de reportagem, que a mais não me atreveria.
A não ser referir, por ser de justiça, que o pintor dos quadros expostos em fundo, na Mesa desta sessão, é Viseense e chama-se Alcídio Marques.
Finalmente:
Porque o actual Presidente da Câmara Municipal de Sernancelhe, Dr. José Mário Cardoso defende o princípio, aparentemente tão basilar, mas que o actual contexto sócio-político essencialmente alicerçado nas doutrinas mercantilistas e neo-liberais tem vindo a secundarizar, de que "a Ignorância fica mais cara que a Cultura", assim a Câmara daquele concelho de Coimbra, acabou por inscrever no seu Orçamento uma verba destinada ao patrocínio da edição duma obra literária do gabarito desta que acabámos de presenciar.


Muitos parabéns, ao Autor, pela sua pertinácia na defesa dos princípios fundamentais e divulgação da Língua Lusíada, e à Câmara Municipal de Sernancelhe por ter editado esta obra de excelência e que tão bem promove Aquilino Ribeiro e a sua superior participação na edificação deste mundo ímpar que é o Mundo Lusófono. 
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2010/01/01

Leiria do Rio Lis...em tempo de muita chuva

Leia-se, também, o belo poema de Soares Duarte, p. 12 do boletim nº 2, da ACLAL (aqui)

Da ponte Hintze Ribeiro, em 30 de Dezembro, tempo de muita chuva, o rio Lis (*) e as suas águas, ora de curso lânguido e cantado por variadíssimos poetas e trovadores, ora de rápidos e cheias que se espraiam pelas várzeas luxuriantes do vale do rio, desde a zona da Barosa até Monte Real...

(*) A etimologia da palavra identificativa do nome do rio que atravessa Leiria, vindo das Fontes, freguesia de Cortes e terminando o seu curso de cerca de 50 Km, no Atlântico, na Praia da Vieira, tem suscitado algumas confusões, que talvez pudessem ter sido evitadas, na devida oportunidade. A palavra correcta deve ser "LIS", como aliás, se tem vindo a usar da há já umas décadas a esta parte.
Uma das opiniões, favoráveis à utilização da toponímia "LIS" e não "LIZ" é a de Manuel Marques da Cruz, conforme publicou o "Jornal das Cortes nº 106, 2/Set/96, p.6). (v. também o livro "Recortes do Jornal daí" vol I, pág. 297).
Resumindo: concordo com a forma simples como se conclui pelo uso da palavra LIS. Resultará do cruzamento da palavra lilium com a palavra Iris. Pondo isto em linguagem genética, direi: de lilium veio o cromossoma "l", e de Iris os cromossomas "is": i + is = lis.
Continua, Marques da Cruz: O lírio e a Iris são plantas da mesma família, mas de géneros diferentes. Os franceses têm um rio a que chamam Lis. Que nunca escreveram com um "Z"; os bons dicionários portugueses só registam a forma "Lis"; o Armorial Lusitano diz-nos que já em 1528 uma família nobre tinha o apelido "Lis".
Também adoptam a designação "LIS" outros dos mais categorizados dicionário portugueses:
- Enciclopédia Verbo
- Dicionário Etimológico, de Pedro Machado
- Dicionário Lello
- Dicionário de Augusto Moreno
- Dicionário da Literatura Portuguesa, dirigido por J. Prado Coelho

Consultando  eu o "Grande Dicionário Enciclopédico Ediclube" de 1996 pode ler-se: 
LIS. (fr.lis, do l. lilium). s.m. LÍRIO. || v. FLOR-DE-LIS.
LIS. Rio da subregião Oeste, que banha Leiria e desagua em Vieira de Leiria, após um percurso de cerca de 50 Km. Pouco caudaloso, atravessa uma região onde as explorações suínas e as variadas indústrias que rodeiam a cidade de Leiria têm contribuído para o aumento da sua poluição.

Ou seja: será de manter estas placas toponímicas com nomes alegadamente errados? É que ninguém consegue em bom rigor, justificar esta grafia, que está bem implantada na ponte Hintze Ribeiro e noutros locais, ao longo do percurso do rio Lis. E lá vão coexistindo, dolentemente, como se estivessem ali a disputar a toponímia correcta para o nome deste belo rio português.
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