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2013/08/16

VOTAR em PANTOMINEIROS? NÃO, NÃO, NÃO! ...




Neste dia, estive a observar a tática da aranha a caçar: constrói meitulosamente, a teia, estratégica e dissimuladamente, num local que já sabe vai ser passagem obrigatória do maior número possível de insetos;
uma abelha ficou presa na teia invisível;
implacavelmente, a aranha envolveu a abelha, ainda viva, nos seus fios e amarrou-a completamente, até a boca lhe tapou, bem vi. Foi o preciso momento em que a abelha deixou de zumbir...

Ou seja, o toque final é o tapar a boca da abelha. A partir daí, a aranha tirou uns momentos de "férias" e voltou com toda a gana para sugar todo o invólucro em que a abelha ficou transformada...

E ainda estamos em Agosto!...

---

Guerra Junqueiro escrevia, no séc. XIX

(...)


Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira a falsificação, da violência ao roubo, donde provem que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro. Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado de quarto do moderador; e este, finalmente, tornado absoluto pela abdicação unânime do País. 

(...)

Votar nestes pantomineiros?
NÃO.

@as-nunes

2013/08/11

Ao povo

(mesmo aqui em frente, um vizinho, profissional de construção civil, teve de emigrar para a América Central. Já lá vai mais de um ano... 
Férias?
Quais férias?!...)

-

Ao Povo

Tem-se a impressão que os portugueses
precisam de emigrar para desenvolverem
todos os recursos da sua nativa e la-
tente capacidade. Porquê? Porque na sua 
terra a casta de políticos, «a mais vil
de todas as castas», como diz Paul 
Adam, predomina; absorve as energias
nacionais, na mísera ambição e na re-
les intriga de partidos; revoluciona; re-
volve até os seus mais profundos alicer-
ces, o equilíbrio social; perturba e enxo-
valha a serenidade da aplicação e do 
trabalho...
... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... 

RAMALHO ORTIGÃO

2013/06/18

Que dizer?


Que fazer?
Mais precisamente é este o caso!

Será que cada um de nós não pode fazer um pouco mais por este país?
Será que só as elites é que ditam o rumo a seguir?


@as-nunes

2013/06/10

Abaixo os vendilhões da Pátria!...


 E Leiria, na senda do que vem acontecendo por esse país fora, a ser votada ao abandono, à sua desertificação e desvalorização da sua economia e património.
Lá virá o dia em que teremos de vender tudo ao desbarato, que para isso é que as medidas de austeridade extrema, é que estão a ser levadas a cabo.

Portugal (dos pequenos, dos que não estão no círculo do poder) está a saque...

Eleições Antecipadas, JÁ!...

Lembremo-nos, há que rever o que nos diz a história: não são as elites que dão os passos necessários para Portugal sair da crise para que, ciclicamente, é empurrado. Tem de ser o Povo a mostrar a sua força!



PORTUGAL a quem trabalha, luta e morre pela nossa Terra!
Abaixo os vendilhões da Pátria!...
@as-nunes

2013/05/11

Rosa amarela vs Riso amarelo!


--
Entretanto...

Fui ler o último registo de Rogério Pereira, no seu blogue.
Fiquei impressionado.
Tem razão, Rogério.
Estes bandalhos que nos governam têm o condão de nos amolecerem com tanta notícia alarmista!
Alarmantes, também!

Temos que nos pôr a pau!...

;) ----------> transforma-se em
...
@as-nunes

2013/05/09

Quando é que Portugal voltará a ser de todos os portugueses?.

in Século Cómico de Agosto de 1918.
Em plena I República...

Sabem quem era o Diretor deste jornal (melhor, suplemento semanal de O Século)? 
Pois, então, Acácio de Paiva.
O maior humorista dos poetas portugueses! ...
@as-nunes

2013/03/18

Portugal, que futuro?

Nos Marinheiros, da rua da Escola, da Igreja para o horizonte crepuscular

Entre o sono e o sonho
é mudo
o diálogo.

Albano Martins
Estão agora floridas as magnólias

@as-nunes

2013/03/06

Portugal não é uma jangada de pedra

Os portugueses de Quinhentos lançaram-se destemidamente em viagens transatlânticas rumo ao desconhecido, usando caravelas, quais meras cascas de noz, afrontando tormentas e mitos de toda a natureza. E venceram, dando ao mundo novos mundos, contribuindo decisivamente para a globalização que agora vivemos...

Afinal, pensando um pouco, somos "A Primeira Aldeia Global "...

2013/01/01

Precisamos duma política ao serviço do Povo


Somos livres?!...


« Marques Júnior, um dos "capitães" de Abril, morreu, com 66 anos.
» No mesmo dia o Presidente da República promulga o Orçamento do Estado da nossa desventura. (*)

.

Foi graças aos capitães de Abril que o Povo português se libertou duma feroz ditadura e pôde participar entusiasticamente na Revolução de 25 de Abril de 1974!
Mas não foi para assistirmos ao desmoronar persistente de todos os nossos sonhos como cidadãos de Portugal que, durante décadas, muitos de nós participámos na construção duma Democracia, que imaginávamos verdadeiramente representativa e ativamente participada pelo Povo. Através dos partidos, sim, mas também ouvindo os movimentos cívicos independentes que, entretanto, foram aparecendo e, como iam surgindo, assim eram varridos do mapa, tantas têm sido as pressões para que a sua ação não prejudique os objetivos dos grandes grupos económicos e de defesa dos interesses particulares e corporativos de umas quantas classes de privilegiados...

Triste a notícia da morte abrupta de Marques Júnior. 
Confrangedora a forma como se impõe um Orçamento do Estado como este que nos vai reger (ou não, veremos) durante todo o ano de 2013 (ou parte, quem sabe!?).

É preciso que nos ouçam!
Precisamos duma Política ao serviço do Povo!...
-
em tempo:
(*) Soube-se hoje ao princípio da tarde que o Presidente da República promulgou na sexta-feira, dia 28, o OE 2013. A notícia nada tem de extraordinário, excepto que: a) no site da Presidência da República o facto é omisso; b) ainda ontem à noite, a RTP dizia estar em aberto a decisão do Presidente. Não sabemos se a RTP agiu por incompetência ou má-fé. Ninguém acredita que a estação tenha dado a “notícia” de motu proprio. A omissão no site da Presidência revela dissimulação. Infelizmente, não há outra forma de dizer isto: o OE 2013 foi promulgado às escondidas.
in http://daliteratura.blogspot.pt/2012/12/ao-que-isto-chegou.html

@as-nunes

2012/12/29

Portugal, que futuro?!


.
Fechados para balanço:
balancear o 2012
perspetivar o 2013

Talvez ocorra um milagre
uma ideia luminosa
que ajude a aclarar 
o caminho
que os passos 
do Coelho
e o camalear 
do Gaspar
têm andado a trilhar

Virtualmente...

O poeta bem proclama
que o sonho comanda a vida
o governo sonha em delírio
e quem aquece o fogo?
O Zé Povinho, 
sempre o Povo!...


Que o ano de 2013 não nos traga mais desilusões do que as desgraças de que já estamos à espera!...

@as-nunes

2012/12/16

É preciso um país



É PRECISO UM PAÍS...

Não mais Alcácer Quibir.
É preciso voltar a ter uma raiz
um chão para lavrar
um chão para florir.
É preciso um país.

Não mais navios a partir
para o país da ausência.
É preciso voltar ao ponto de partida
é preciso ficar e descobrir
a pátria onde foi traída
não só a independência
mas a vida.

Manuel Alegre
(Águeda, 1936)

Manuel Alegre: "Cada bom poema que se faz é uma derrota da indigência"
É preciso um país                           
É preciso um país                             
É preciso um país                                
É preciso um país                      
É preciso um país                 

2012/11/22

Eis Aqui o Agiota

Com as minhas desculpas ao pombo, que estava a fazer pela vida, depois de escorraçar a concorrência.
Quer ele lá saber das teorias de Keynes? Tal como o Agiota, mas este sabe perfeitamente que a sua vida de nababo consegue-a à custa da infelicidade de milhões de seres humanos...

Eis aqui o agiota
Eis ali a agiotagem
De novo mergulho na luz do astro da música
A minha cabeça
De novo a procura daquela
Melodia que teima
Em nascer às avessas
Se ribomba no contrapasso e se já cruza o ciberespaço
Então
Cuida de ti usurário
Na zona escura do erário
E da folia financeira
Do teu corpo fundo
E mais anónimo
A volta do mundo
Atravessando fronteiras
Esvoaçam
À tua volta esvoaçam
Taxas de juros e cambios
De cambistas e banqueiros
Títulos e dívidas
Contraseguros
Visões garridas
Malabaristas
E oníricas
Do dinheiro
A minha guitarra não toca para ti
A minha guitarra rosna
Obeso e rebarbativo alardeando
A engorda
O teu figurino
Obesa a corruptela que mais
Disfarça e transforma
Selvagens capitalismos
Em brandos neoliberalismos
O mais doce dos eufemismos
E então
Tu provas na perfeição
Que geres com o teu cifrão
A infelicidade dos outros
Reduzes um drama
O do maior desemprego
A centigramas
A percentagem de uns poucos
Encurralados
Os mais jovens encurralados
Em becos rasos de seringas
Contrafeitos mercadores
Em praças e ruas
Ruelas e avenidas
Envergonhadas
E mais anuladas
As mãos estendidas
De arrumadores
Morreu a proletária ditadura
A ditadura do mercado já nasceu
Se cada vez menos produzem
Mais para a maior minoria
Toda a riqueza
Se cada vez menos para a imensa maioria sobram
Sobras que te caem da mesa
Da guerrilha dos capitais
Em doces paraísos fiscais
Então
Cuida de ti argentário
O que retrata este sudário
E a maior parte do mundo
Que sobrevive na penumbra
De olhos postos em ti
Moribundo
Mas que te olha já defunto
E enches a boca
De direitos humanos
Enches a boca
De fala
Do pensamento
Mas o do trabalho nunca
E porque será
Que esse direito
No esquecimento fica
Se crucifica
Mais
Se abdica
Mas fica a pergunta
Keynes
Ao pé de ti
E arrumado a um canto
É a alegoria
Ou o retrato de um santo
Fausto

2012/11/19

IVA, IVA, IVA em "Dia Nacional Sem Restaurantes"



Ainda se consegue ver a paisagem, a natureza bem nos acena com simpatia e beleza.
Até quando? Com o afunilamento das nossas expectativas, que futuro, Portugal?

Vou a Leiria a uma sessão de esclarecimento sobre a forma de cumprir, já a partir de 1 de Janeiro próximo, as obrigações fiscais no que respeita ao IVA, que vão resultar em que todas as atividades, feirantes inclusivé, tenham que faturar on line 
(na maior parte dos casos em tempo real, de modo a que os dados fiquem instantaneamente registados na base de dados das Finanças; e o servidor do Fisco aguenta com tanta informação?!, quando já não o consegue para os movimentos normais de acesso por parte dos contribuintes?) 
todas as suas vendas. 

As pessoas/pequenos empresários parece que ainda nem sequer se aperceberam do imbróglio em que estão a ser metidos!

Este governozito ou é ingénuo ou é sabido de mais e tem a nítida  intenção de destruir para depois reinar sobre os escombros! ....
-
Entretanto...
Diz o Ministro das Finanças que a reposição da taxa do Iva da restauração aos níveis anteriores é um assunto que vai ser objeto de análise de um "grupo de trabalho"...  
Bem sabemos como funcionam esses grupos de trabalho!...

Já cansa, snr. Ministro, não há paciência para ouvir as suas lengalengas, monólogos longos, entediantes, nitidamente a tentar "poupar" o Primeiro Ministro...no seu incrível objectivo de ainda estar no governo em 2014...

2012/11/17

O meu país não pode ser só capital




PAÍS

Não sei se sem poemas há país
Ou se sem eles se perde o pé a fé e até
Esse país que está onde se diz
Ai Deus e u é?

Alguns julgam que é tanto vezes tanto
Capital a multiplicar por capital
País é um café e a mesa a um canto
Onde um poeta sonha e escreve e é Portugal.

Levantou-se a velida e levantou-se a alva.
Por mais que o mundo nos oprima e nos esprema
Há sempre um poema que nos salva
País é onde fica esse poema.


Manuel Alegre
Nada está escrito
D. Quixote - 2012

@ as-nunes

2012/11/13

Tempos fuscos...



Tirei esta fotografia há dias, na semana passada, com o tempo a dar chuva, por vezes forte, estamos no vale do lis, aqui no centro oeste de Portugal. Como eu gosto de chamar a este sítio de Portugal, que quero que continue livre e independente. Livre da corja de bandidos que o assaltaram e o deixaram completamente exaurido, à mercê dos barões da nova oligarquia dominante, meros e prestáveis funcionários da Alta finança internacional e dos seus próprios interesse e de grupo. Independente e capaz de não se deixar prender pelas garras daquela águia bicéfala, que durante a primeira parte do séc.xx, não conseguiu impôr a sua vontade à Europa, e que agora, sob o estandarte duma dama de olhos azuis Merkel, se dá ao luxo de fazer um périplo de revista das forças dispostas no terreno, e sem gastar dinheiro em munições, conseguir o domínio absoluto da Piglândia, distribuindo medalhas de mérito e exemplar comportamento,  pelos seus alunos e mandatários.
Mesmo que contra a opinião e vontade manifesta da esmagadora maioria do povo português, que não querem ser vergados a ponto de virem a ser os escravos do ressurgimento da produção e crescimento da economia Europeia, depois de os seus salários e condições sociais serem reduzidos a menos que o mínimo de sustento. 

E não nos venham com a história da Dívida Pública ser excessiva. Culpem-se os verdadeiros responsáveis. Eles estão aí bem à vista de toda a gente!

É da história que os povos mais frágeis terão de ser domados à força do medo da pobreza. É isso que a Troika e a Direita portuguesa, à qual fomos forçados a entregar-nos, vai acabar por conseguir. A mão de obra barata e não reivindicativa, a nacionalização das empresas públicas rentáveis vendidas ao desbarato, depois  de tudo se ter feito para as desvalorizar alegando que são mal administradas, eis os ingredientes imprescindíveis para o assalto final do neo-liberalismo e da alta finança internacional.

Sempre à força da arma letal e implacável de nos incutirem o medo de sermos pobres! Depois de nos roubarem todas as expetativas que tínhamos de que o Estado era de confiança, que nele podíamos depositar as nossas poupanças da vida inteira. Que era uma pessoa de bem, que geria não só as nossas expectativas como também tinha gente que era eleita para co-mandar, ouvindo os anseios do povo e as opiniões de pessoas idóneas e competentes, muitas e de saber incontestável.

Mas não, o que importa é ser-se o menino bonito, custe o que custar aos povos da Piglândia...

@ as-nunes
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2012/11/12

Olá! ...

 
                                                                            foto RAFAEL MARCHANTE/REUTERS


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2012/11/11

Pela enésima vez...


O castelo de Leiria, perspetiva da margem direita do rio Lis, quem estaciona junto à frente do antigo Hospital D. Manuel de Aguiar.
Ontem passei por aquela rua, ia apressado, mais ou menos à mesma hora em que hoje, com mais vagar, parei para captar esta imagem, só possível nesta altura do ano. 
Pela enésima vez, talvez até já se estejam  a aborrecer comigo, cá deixo este registo, de qualquer modo na melhor das minhas intenções, que só quero aproveitar este ensejo para mostrar este recanto de puro encanto, nesta cidade de Leiria que me habituei a admirar, agora num misto de amor e de nostalgia. 
Cada vez frequento menos a cidade, por motivos vários, e isso provoca-me dor e um sentimento de enorme ingratidão para com a terra que me chamou em 1966... por telegrama...
E eu, jovem de 20 anos, meti-me a caminho, diretamente de Viseu, na carreira dos Claras, numa viagem de 7 horas, o meu pai lá me emprestou o seu relógio, para eu aparecer na Escola Industrial e Comercial de Leiria, dentro do horário combinado com o diretor para me apresentar ao serviço...

Sou capaz de estar a contar esta minha aventura pela enésima vez neste blogue...

Mas o tempo dá, quando menos se espera, um salto para trás.
Este filme é muito antigo e as suas imagens são devolvidas à realidade em momentos mágicos e hipnóticos como este...
-
E a chanceler Merkel que aí vem fazer revista aos seus súbditos...e o que mais dói, é que dela estamos cada vez mais dependentes.
Que é feito do teu orgulho, da tua história, da tua antiga glória, Portugal? 

E não me venham dizer que é só lamúrias! Que fazer mais, senão renegociar a nossa colossal Dívida Externa? Rapidamente e com competência e sagacidade, onde estão os nossos governantes, não podem servir só para nos atolar em impostos e mais impostos?! ...
@ as-nunes

2012/11/09

Nunca terá sido tão importante gostarmos muito de Portugal como na atualidade!...

 

in YouTube
-

Portugal


Eu tenho vinte e dois anos e tu às vezes fazes-me

sentir como se tivesse oitocentos

Que culpa tive eu que D. Sebastião fosse combater os

infiéis ao norte de África

só porque não podia combater a doença que lhe

atacava os órgãos genitais

e nunca mais voltasse

Quase chego a pensar que é tudo mentira que o

Infante D. Henrique foi uma invenção do Walt Disney

e o Nuno Álvares Pereira uma reles imitação do Príncipe Valente

Portugal

Não imaginas o tesão que sinto quando ouço o hino

nacional

(que os meus egrégios avós me perdoem)

Ontem estive a jogar póker com o velho do Restelo

Anda na consulta externa do Júlio de Matos

Deram-lhe uns electro-choques e está a recuperar

àparte o facto de agora me tentar convencer que nos

espera um futuro de rosas

Portugal

Um dia fechei-me no Mosteiro dos Jerónimos a ver

se contraía a febre do Império

mas a única coisa que consegui apanhar foi um

resfriado

Virei a Torre do Tombo do avesso sem lograr encontrar

uma pétala que fosse

das rosas que Gil Eanes trouxe do Bojador

Portugal

Se tivesse dinheiro comprava um Império e dava-to

Juro que era capaz de fazer isso só para te ver sorrir

Portugal

Vou contar-te uma coisa que nunca contei a ninguém

Sabes

Estou loucamente apaixonado por ti

Pergunto a mim mesmo

Como me pude apaixonar por um velho decrépito e

idiota como tu

mas que tem o coração doce ainda mais doce que os

pastéis de Tentugal

e o corpo cheio de pontos negros para poder

espremer à minha vontade

Portugal estás a ouvir-me?

Eu nasci em mil novecentos e cinquenta e sete Salazar

estava no poder nada de ressentimentos

o meu irmão esteve na guerra tenho amigos que

emigraram nada de ressentimentos

um dia bebi vinagre nada de ressentimentos

Portugal depois de ter salvo inúmeras vezes os

Lusíadas a nado na piscina municipal de Braga

ia agora propôr-te um projecto eminentemente

nacional

Que fôssemos todos a Ceuta à procura do olho que

Camões lá deixou

Portugal

Sabes de que cor são os meus olhos?

São castanhos como os da minha mãe

Portugal

gostava de te beijar muito apaixonadamente

na boca.

Jorge de Sousa Braga

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2012/10/09

PORTUGAL, a EUROPA e os papagaios políticos


Esta bandeira estava hasteada no quartel, em Leiria, de onde eu parti, em 1969, para terras de Moçambique, no Índico Ocidental. Eu, a minha mulher e a minha filha que lá iria nascer...
E para a Europa retornámos ...


PORTUGAL

Esperam de encontro ao Cais, como penduras (bem se conhecem):
os magníficos estupores deste consórcio espúrio em que, de volta
à pátria, rumo à Europa, nos embarcaram outra vez.
Em bicos de asa, fingem.
Escondem o esfíngico futuro do passado.
Sei o que esperam.
Como enfunada, a alma os tenta, frente à mastreação bastarda
de outros mares.
Se a Europa aqui jaz, com que fito, o rosto é Portugal?

Vergílio Alberto Vieira 

do grupo de poetas do café Orfeu, no Porto, por volta do anos 80 do século passado.
in
ORFEU 4  (ver registo biblioteca pessoal aqui)
Porto Dezembro 1988

-"Saudemos o poeta-cantor quando os usos e costumes entronizam as putas dos poderes, os papagaios políticos, tecnocratas miúdos, atletas sem cabeça, medíocres vedetas da mediatocracia."
Assim se exprimia Arnaldo Saraiva na sua nota introdutória.
-
outros poetas deste grupo:

Amadeu Baptista
Arnaldo Saraiva
Egito Gonçalves
Manel António Pina
e
tantos outros ...


-.-
@as-nunes