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2013/09/12

Acácio de Paiva: Vim agora mesmo de Leiria

Ontem à noite, umas 10 horas, a Lua em quarto crescente... lembrei-me de Acácio de Paiva.

VIM AGORA MESMO DE LEIRIA

(...)
Fui também à capela da Senhora
Da Encarnação, e vi pertinho os montes
Que o sol ao levantar-se logo doura
Para no sítio a que lá chamam Fontes
Abençoar o rio em sua origem:
E, entretanto, vi milagres às centenas
Em promessa à Virgem.
A demonstrar o fim de muitas penas,
Menos das minhas, porque então, por mais
Que prometesse e me apegasse às santas,
Confiado em seus dons celestiais,
Outra menina (foram tantas, tantas!)
Me desprezou, cruel e desdenhosa,
Insensível às velas e aos painéis,
Porque aos meus versos preferia a prosa
De cem contos de reis…
E mais vi… Mas não devo adiantar-me,
Pois esta referência em baixo estilo
É uma espécie de sinal de alarme
A dizer que se avanço descarrilo.
Desta vez, como devem ter notado,
Deu-me para o lirismo. Bem, se tento,
Porém, ser engraçado,
O efeito que tirei do sentimento,
Das belezas, enfim, que descrevi,
Desfaz-se como fumo pela altura.
Nada!… É melhor parar aqui,
Nada! nada! É melhor parar aqui,
Não se borre o diabo da pintura…

Acácio de Paiva
(Tinha voltado para Lisboa)


@as-nunes

2013/05/17

Nomeou-me Leiria embaixador

Capela/Santuário da Sra. da Encarnação - Leiria

Nomeou-me Leiria embaixador
Para saudar-vos nesta hora clara
          Do mais vivo esplendor
Que jamais, até hoje se alumiara
E cedi com vaidade: pela minha
Terra, minha saudade há tantos anos
E que é da Estremadura alta rainha
E por vós dois: excelsos soberanos
Crede: Leiria é digna de visita.
[...]

Acácio de Paiva
1863-1944

- Em 29 de Junho próximo, em Leiria: apresentação do livro "Falando de Acácio de Paiva". Sessão integrada nas comemorações do mês da Junta de Freguesia de Leiria e do 150º Aniversário do Nascimento do "Insigne Poeta Leiriense".

@as-nunes

2013/02/08

Antes das cidades já havia pessoas?

Igreja/Santuário de N. Sra. da Encarnação . Leiria: ao anoitecer de ontem.
De cima da ponte que liga a zona do hospital de Sto. André aos Pousos, em Leiria. Ao anoitecer. Ontem

Ora bem. Aqui estou eu, à espera que mudem os pneus do meu carro. E, pelos vistos, vim mesmo na hora. Pelos menos dois dos pneus já estavam nas lonas. Têm andado a gastar mais por dentro, pelo lado do pneu que não se nota à vista ligeira e de rotina.

Os pneus nas lonas. Tal como nós, portugueses. Uns mais que outros, claro.
Veio-me à ideia o que se tem passado com a gestão da coisa pública. Do país, este país desgraçado pela atuação desgovernada e corrupta dos políticos que nos têm calhado nas rifas das eleições ditas democráticas, mas que pouco têm de democrático, na perspetiva de que as pessoas que são escolhidas pelos partidos acabam por nos ser impostas através do  sistema eleitoral vigente em que não se dá oportunidade a que pessoas independentes e reconhecidamente competentes e honestas se possam apresentar a sufrágio universal.
Do país e das cidades, como é o caso de Leiria, nitidamente em situação de rutura financeira e com as pessoas a deixá-la às moscas. Com o comércio completamente à deriva e as lojas a fecharem umas atrás das outras, o centro histórico degradado ao extremo.

Tendo aqui à mão o semanário "Região de Leiria", de que sou, aliás, assinante, dei com uma crónica na página de "Opinião" que me chamou particularmente a atenção. Por sinal a crónica desta semana tem como finalidade introduzir o tema que vai passar a ser abordado pelo seu autor(*). E fiquei expectante.

Muito sinteticamente e em jeito de slogan, o autor inicia o seu texto desta semana, reproduzindo um grafiti que recentemente encontrou numa das artérias centrais duma cidade aqui perto. Que diz assim:

"Antes das cidades já havia pessoas?"

Apesar do aparente absurdo desta pergunta, o autor propõe-se, com esta crónica, trazer regularmente à discussão pública, "propostas de leitura e interpretação do lugar do urbano e do papel das cidades no mundo contemporâneo."

Parece-me uma boa ideia.
Vamos a isso, cá estaremos para o ler e acompanhar. O tema promete.
-
E pronto. Os pneus já estão montados. Espero passar a sentir-me mais seguro a conduzir, nos próximos tempos. Assim possa acontecer o mesmo com os políticos que nos governam. Com a mudança de Orçamento plurianual para a UE parece que até nem vamos sair muito desfavorecidos, pelo menos no que respeita aos fundos de coesão para a Agricultura. 
Assim venham a ser geridos com o rigor que se exige. 

(*) João B. Seara
Professor do Instituto
Politécnico de Leiria

@as-nunes

2012/12/07

A fotografia e a pintura


Uma fotografia como tantas outras que tenho tirado ao longo dos muitos anos que levo a retratar aquilo que vejo e me absorve a atenção num determinado momento.
É um desses precisos momentos que aqui deixo publicado.

Dia 5 de Dezembro de 2012, 15 horas de Portugal continental, do miradouro do antigo Paço Episcopal de Leiria, hoje a esquadra da Polícia de Segurança Pública. Vêem-se os campanários da igreja de Sto. Agostinho, a capela do santuário de N. Sra. da Encarnação, na linha de horizonte, os cumes da Sra. do Monte e da Serra da Maúnça. 

Um simples retrato? Um mero registo contemplativo? 

Os fotógrafos profissionais insistem em que a espontaneidade não implica que o fotógrafo seja menos artífice que o pintor. 
Eu, como fotógrafo não profissional, ainda que com muitos anos de experiência na fotografia espontânea, não temática, não me atrevo a propor que a fotografia force a concorrência com a pintura!...

Tema com probabilidades de originar um bom debate!
- talvez tenham interesse em ler http://az-biblioteca.blogspot.pt/2012/12/ensaios-sobre-fotografia.html

2011/11/20

IC36: ai Leiria do Lis e do Lena

As silhuetas do Castelo de Leiria e do Santuário de Nª Sra. da Encarnação, observadas do viaduto do IC36, com os automóveis a sobrevoar o Vale do Lis.
Provavelmente já não poderei captar esta imagem na via Nascente/Poente em direcção à A19, ou à A8 ou à A17 ou mesmo em direcção à A1, se quiser virar à rotunda do IC36/S.Somão, seguir à rotunda do "McDonald" e seguir a via rápida para os Pousos e auto-estrada. 
É que, depois de aberto oficialmente ao tráfego, não se pode parar lá em cima.
 A estrada que vem de S. Romão em direcção a Fátima, o Vidigal à vista, de cá de cima do IC36
 O vale do Lis, terrenos da Quinta de S. Venâncio, lá em baixo...uma amostra do que era a quantidade de sobreiros que havia nesta zona. (clique para ver melhor, pode ser que eu não tenha visto bem).
No horizonte, a silhueta da Sra. do Monte e da Serra da Maúnça.
Ora cá estão as famigeradas portagens. Fica-se sem se perceber se estas são as taxas por se estar a percorrer o IC36 ou se serão as taxas para quem queira ir para a A8 ou se será a portagem para se seguir pela A19 até à A8. 
Confusões... deve ser por causa da minha dificuldade em me adaptar a estas alterações bruscas, coisas da idade, se calhar, os neurónios a funcionarem com memórias e recordações do que era o tempo do Lis e do Lena cantado por poetas e aproveitado para a agricultura, pastorícia e florestas a perder de vista.
@as-nunes

2010/10/14

Êxtase e inquietude!...

Descendo a Rua de Martingil, no lugar de Marrazes, a maior freguesia do Concelho de Leiria, hoje, ao finar da tarde, olhar na direcção da cidade. Panorama imponente do Castelo de Leiria, do casario da cidade, do Santuário da Nª Sra. da Encarnação, dos montes da Maúnça e do enfiamento da Serra dos Candeeiros, o azul do céu com um fundo de cinzento do nevoeiro a enfeitar-se para a noite que aí vem...
Lá em baixo, segue o famoso IC2, em obras de alargamento e outras melhorias (que bem precisado estava nesta zona do seu percurso), a caminho do IC36 (logo a seguir à curva ao fundo), que vai ligar a A8 à A1 cruzando os lugares da Mourã, Telheiro, Vale de Lobos, Vale do Lis/Cortes, Pousos. Itinerário de 10 km, talvez não tanto, com um viaduto sobre o Vale do Lis, um túnel (no Telheiro) e uma área de grande contestação porque a opção foi de corte de terrenos em profundidade e a céu aberto quando as populações reclamavam um túnel; Casal dos Maios/Pousos.
Obras em bom ritmo, quem diria que há crise de obras públicas?
Já estavam em pleno andamento antes das últimas medidas drásticas tomadas pelo Governo, quando não lá teriam ficado para as calendas gregas! É claro que também estava em jogo o lobby das Auto-Estradas! Ligar a A8 à A1 nesta zona do País é ouro sobre azul tendo em vista poder criar-se/fortalecer-se mais uma fonte de receita através da futura portagem dessa via (mais próxima do que muitos de nós estamos a imaginar).
De qualquer modo, um conjunto de obras, de importância nitidamente relevante para toda esta estratégica área geográfica de Portugal.
Ao fim da rua, ao longe, para os lados da Barosa, logo atrás, Marinha Grande, Vieira, o Atlântico a abrir a cama para o Sol se deitar!...

Hoje, ao cair da tarde, no lugar dos Marrazes, sobranceiro ao Arrabalde, leito do Rio Lis, águas a correr devagarinho, mansamente, ao encontro do Rio Lena, aqui mais ao lado direito da fotografia, próximo, na Barosa, os dois, juntinhos, unidos para sempre, a namorar em direcção à Praia da Vieira...
-
O Orçamento do Estado para 2011 a ensombrar o êxtase destes poéticos momentos!...
Posted by Picasa


2008/03/18

Rotunda Paulo VI - vista da Sra. da Encarnação

(clic; ampliando-se observam-se excelentes pormenores)
Foto tirada do Monte de S. Gabriel, agora.
(mais conhecido por Santuário de N. Sra. da Encarnação, padroeira de Leiria e nome da minha Mãe, que já não vejo há cerca de dois anos, ingrato que tenho sido!
Mas, oh mãe, quero informar-te em primeira mão, que no próximo Sábado tenciono ir ao Casal - Viseu para matar saudades tuas e do pai e dos meus tios e tias e dos meus primos e, se calhar do meu irmão Vítor. Vamos lá a ver. Se o tempo vai dar para tudo, se a Inês e os meus netos também me acompanham, quiçá o Bruno, a Ana e a Carolina também. Era bom. E tu bem merecias que eles aparecessem por aí, assim quase de surpresa, a ver se encurtamos distâncias, nem que seja só por umas horas. E mais. Eu próprio ando com saudades de Viseu, do Casal, dos olhares Primaveris da Beira Alta. Tenho andado muito preso a Leiria. Com um desejo enorme de sentir os ares, os cantos e recantos da minha terra... Veremos! Na foto ao lado, o meu pai Daniel e a minha mãezita, ambos com 83 anos. Um dia destes nas termas de S. Pedro do Sul. Foto do meu irmão).Estão com aspecto fixe ou não?)
Vê-se a rotunda Paulo VI (deve ser assim por que ela estará baptizada já que é ali que começa a Av. Paulo VI, a antiga "Calçada do Bravo") com várias azinheiras (talvez porque a partir daqui há vários caminhos que vão dar a Fátima), vê-se também um Cedro e uma Grevíllea já com boa envergadura, ao lado duma bomba de gasolina, prédios diversos, a já dita Avenida (que vai entroncar, 2 kilómetros lá mais acima no IC2), o Hospital de Santo André, pintado de laranja claro, uma chaminé da queima de resíduos. Em primeiro plano pode ver-se, do lado esquerdo da foto) um carvalho português a iniciar o seu ciclo de floração e já com algumas folhas a brotar. Neste monte há vários carvalhos e bastantes sobreiros. Existe, inclusivé, um recanto com mesas e bancos em pedra, à sombra dum bosquete de sobreiros(veja-se a foto aqui).
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Já agora. Ocorre-me falar daquele fatídico Sábado, corria o ano de 1967, mal eu tinha chegado a Leiria, vindo do Porto/Viseu.(*)
Na Sexta-feira anterior, tinha eu combinado com uns amigos, que no dia seguinte iríamos fazer uma almoçarada de leitão, à Boa Vista. Na altura, a ligação Leiria/Boa Vista (10 km) era feita através da EN1, cheia de curvas perigosas e com uma armadilha mortal, bem à vista de todos os passantes, mas extremamente perigosa. No sítio onde hoje está a rotunda, havia uma casa e umas arrecadações, árvores de fruto e terras de amanho. Ao fundo da Calçada do Bravo, quase 1 km sempre a descer, havia uma curva perigosíssima, para a direita. O piso era o piso das estradas de Portugal, da época: de paralelepípedos, mais tarde de alcatrão/manteiga.
Seríamos cinco. Aconteceu, por obra e graça do acaso (?!), que eu andava bastante cansado, e acabei por ficar a dormir até às tantas da manhã de Sábado. O resto do grupo bem esperou ,mas acabou por seguir sem mim.
No regresso, por volta das 4 e tal, o carro em que vinham (tocaditos com toda a certeza, malta nova, sangue na guelra) seguiu em frente, entrando pela casa dentro. Morreram todos os ocupantes.
Porque é que eu não ia lá dentro com eles?!... Desígnios do insondável destino de cada um de nós, ocupantes deste planeta a que chamamos Terra.
...Ainda hoje sinto o ressoar dos gritos de angústia da mãe dum jovem, irmão dum amigo que jantava comigo habitualmente no antigo Restaurante Peninsular, ali à Av. Mouzinho de Albuquerque. ...(note-se que eu próprio nem sei se já teria 20 anos).
(*) Tinha acabado, no ano anterior, o meu curso, no Porto. Já estava em Viseu e foi daqui que iniciei a maratona de camioneta, autêntica aventura de carroças através de montes e vales por estradas rudimentares e perigosíssimas.
Posted by Picasa